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Fortaleza, capital do Ceará: transformações no
espaço urbano ao longo do século XIX
Maria Clélia lustosa Costa*
* Sócia Efetiva do Instituto do Ceará.
ortaleza, até o início do século XIX, era um povoado sem
nenhuma importância econômica, mas a presença da fortaleza, garantia
apoio aos barcos que navegavam entre o Maranhão e o Piauí e aí aportavam para se abastecer. Adquire o status e as características de cidade,
no século XIX, após a separação da província de Pernambuco e, principalmente, com a inserção do Ceará na divisão internacional do trabalho,
como exportador de algodão. O crescimento econômico da província e
a política do Império de fortalecimento das capitais da províncias, atraíram moradores, investimentos foram realizados em edificações e infraestrutura e serviços foram implantados em Fortaleza.
Este artigo tem como objetivo discutir as transformações no espaço urbano de Fortaleza durante o século XIX, em virtude da dinâmica
econômica e da ação do poder público direcionando a expansão da vila
e depois da cidade.
Fortaleza, como muitas outras cidade, tem no quadro natural sua
limitação, que cresce acompanhando a margem esquerda do rio Pajeú.
Além dessas condições naturais, para a compreensão da formação de
Fortaleza, é fundamental analisar o papel dos diferentes agentes produtores do espaço, principalmente o Estado, que investiu na construção de
edificações públicas, estradas, ferrovias, legislou e aprovou Códigos de
Posturas e concedeu a exploração dos serviços públicos (iluminação,
distribuição de água, transporte, comunicações) a empresários nacioRevista do Instituto do Ceará - 201482
nais e estrangeiros, como a Ceará Water Company, Ceará Gas Company
e a Ceará Harbour Corporation. Os exportadores e importadores, fazendeiros, industriais, comerciantes, prestadores de serviços que organizavam e coletavam a produção, beneficiavam a matéria prima e distribuíam os produtos locais e importados contribuíram na organização do
espaço urbano de Fortaleza. A população, de acordo com suas condições financeiras, edificava suas habitações. Aqueles com melhor renda
moravam no centro e nos bairros que vão surgindo no final do século
XIX, quando as linhas de bonde são implantadas. A população mais
carente autoconstruía suas choupanas com material local nas chamadas
“areias”, nos arredores da área mais urbanizada.
Inicialmente apresentaremos o processo de ocupação do território da atual Fortaleza e as dificuldades enfrentadas na formação da
vila, em virtude das condições naturais. Posteriormente, o artigo trata
da tentativa de disciplinar o espaço da cidade, desde a chegada do primeiro arruador (1800), passando pela planta em traçado de xadrez do
Coronel engenheiro Antônio José da Silva Paulet (1812) e a aprovação
do primeiro Código de Posturas, em 1835, até os levantamentos e as
plantas de expansão de Fortaleza elaboradas por Adolfo Herbster (1859,
1875 e 1888).
1 A natureza e a ocupação do território
A história urbana de Fortaleza não é somente a descrição de um
pequeno núcleo de povoamento que vai progressivamente tornando
mais complexas as suas relações, mas também o predomínio das implacáveis forças naturais que vão perdendo importância, de acordo com o
avanço do conhecimento científico.
No século XVII, o território da futura cidade de Fortaleza foi
ocupado com objetivo militar, de entreposto comercial entre as capitanias do Norte. O pequeno povoado tinha como função apoiar a passagem para os que vinham do Pará ou Maranhão em direção a
Pernambuco. A cidade, nascida entre outros núcleos urbanos já desenvolvidos, terá que esperar mais de um século para se tornar um aglomerado populacional importante.
Um forte, um riacho e poucos moradores esta é a imagem da
antiga vila de Fortaleza, conhecida e descrita pelos viajantes. A luta dos
83Fortaleza, capital do Ceará: transformações no espaço urbano ao longo do século XIX
seus moradores e governantes será inicialmente contra as condições naturais, principalmente a seca. Como em todo aglomerado humano, a
determinação primeira será natural. É o quadro natural em sua determinação que modelará as ações necessárias e depois possíveis dos habitantes. Os séculos seguintes darão prova da dependência dos habitantes
de Fortaleza ao quadro natural. Passa então a predominar a lógica da
organização social e principalmente do poder político como fator organizador da cidade.
O Ceará não apresentava os atrativos naturais da zona da mata do
Nordeste oriental. A ausência de produtos de interesse dos colonizadores e a natureza marcada pela semiaridez dificultaram a ocupação da
capitania do Ceará. A primeira tentativa de apropriação do território,
onde hoje está situada a cidade de Fortaleza, ocorreu com a chegada da
expedição de Pero Coelho de Souza, em 1603. Depois de muitas lutas
com indígenas e franceses, Pero Coelho de Souza fundou às margens do
Rio Ceará a povoação de Nova Lisboa, mas “acossado pelo silvícola
inimigo e pela trágica seca de 1605-1607” e tendo perdido parte de sua
família, ele foi obrigado a retirar-se para o Jaguaribe e, depois, para o
Rio Grande. (apud GIRÃO, 1984).
A posse efetiva da terra só se deu a partir de Martim Soares
Moreno1 que, chegando em 1611, construiu, na Barra do Ceará, o Forte
São Sebastião (Figuras 1 e 2).
Soares Moreno exalta, em sua “Relação do Ceará”, datada de
1618, - o mais antigo documento descritivo da região circunvizinha do
Rio Ceará, então conhecida como Siará - a excelente qualidade da terra
e pede apoio para a criação de um aldeamento na região que servisse
“para estalagem dos que forem e vierem do Maranhão e do Pará a
Pernambuco”. (apud CASTRO, 1982, p. 35).
1 Martim Soares Moreno inspirou o escritor cearense José de Alencar na criação do
personagem de Martim, o “guerreiro branco”, do romance Iracema, obra famosa da
literatura brasileira do século XIX.
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Figura 1 - Forte de São Sebastião. Desenho de Frans Post. Fonte: Barleus, 1647.
Figura 2 - Forte de São Sebastião. Fonte: Montanus, 1671.
85Fortaleza, capital do Ceará: transformações no espaço urbano ao longo do século XIX
De sua base às margens do rio Ceará, Soares Moreno partiu para
observar a presença dos franceses no Maranhão, mas teve seu barco
desgarrado para as Antilhas. De volta ao Ceará, em 1621, com o título
de Capitão-Mor, permaneceu na capitania até 1631, quando novamente
partiu, desta vez definitivamente, para combater os invasores holandeses em Pernambuco. Com o afastamento de Soares Moreno, arruinou-se o Forte São Sebastião e, em 1637, a região passou a ser controlada
pelos holandeses. Liderada por Matias Beck, uma expedição holandesa
desembarcou na baia do Mucuripe, em 1649, na esperança de encontrar
prata na Serra de Maranguape. Constatando a ausência de água doce no
Mucuripe, os holandeses estabeleceram, em 1649, na margem esquerda
do rio Pajeú, sobre a colina de Marajaitiba - o que lhes propiciava uma
visão geral da baía - o forte de Schoonenborch e ali permaneceram por
sete anos, até sua expulsão definitiva do Brasil, em 1654.2 (MENEZES,
1897, p. 42).
Com a capitulação dos holandeses, os portugueses retomaram o
controle da região. Deram ao forte holandês o nome de Fortaleza de
Nossa Senhora de Assunção e se fixaram definitivamente nas margens
do rio Pajeú, pois o sítio onde anteriormente se haviam estabelecido, às
margens do rio Ceará, apresentava alguns inconvenientes, como a insalubridade e o assoreamento no leito fluvial que lhes dificultava o acesso3.
A vila de Fortaleza estava situada “a mais de légua ao oeste da ponta do
Mucuripe, e de dois da barra do rio Ceará”, em região considerada salubre por Thomas Pompeu de Souza Brasil (1896). As características
naturais do sítio onde foi localizada a vila foram descritas por Brasil:
2 Em 1630, os holandeses invadiram Pernambuco e sua passagem pelo Recife propiciou
discutida contribuição para a nossa história. A principal personalidade holandesa desse
processo foi o Conde João Maurício de Nassau Siegen que chegou a Recife em 1637.
Autêntico espírito da Renascença, Nassau trouxe consigo dois grandes pintores Frans
Post e Albert Eckout, além de cartógrafos e cientistas. Depois de sua partida, em 1644,
deu-se a derrocada do domínio holandês no Nordeste e, em fevereiro de 1649, depois
da derrota na Batalha dos Guararapes, os holandeses enfrentaram duros problemas até
serem expulsos do Brasil, em 1654.
3 Em documento datado de 1814, o governador Barba Alardo de Menezes (1808-1810),
explica que a transferência da vila se dera em função da insalubridade da Barra do
Ceará. (CASTRO, 1997, p. 42).
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A extensa área do littoral se alonga por 3 a 4 kilometros para o
interior, compõem-se na sua quase totalidade de terreno silicioso, grés, decomposição de quartz, com profundidade de alguns
metros, repousando, ora sobre a rocha primitiva, ora sobre delgada camada de marga ou argila. A inclinação geral para o mar
com as pequenas depressões para leste, oeste e norte, seguindo
o leito do riacho Pajehú, Jacarecanga e praia, servem de escoadouro as águas pluviaes. Em um outro trecho, accidentes do solo
permittiram a acumulação dos detrictos que formam estreita camada de alluvião. A não ser a orla marítima, na qual os comoros
de aréa, impedindo o escoamento das águas pluviaes e retendo
grande marés, originaram anteriormente lagamares, maceiós,
pequenos pântanos, em parte dessecados, e o vale superior do
riacho do Pajehú, nenhum outra fonte de insalubridade natural
existe na Fortaleza. (BRASIL, 1896, p.8-9).
Apesar da temperatura semelhante à de outras cidades litorâneas
do semiárido brasileiro, o calor de Fortaleza era amenizado pelos ventos
alísios. O Barão de Studart compara o clima da capital do Ceará com
outras cidades da região:
Em Fortaleza (3°43’38” Lat. S, 4°39’23” Long. E, Rio), a média
da temperatura annual é de 26°6’, a das máximas 30°4’e das mínimas 23°31’, a média da pressão barométrica 762,4, da chuva
998 mm, da humidade relativa 72,6, da tensão do vapor d’água
20,3... Belém, Natal e Recife dão médias de 26°21, 26°5 e 26°3
respectivamente, mas nenhuma dessas capitaes tem como Fortaleza o calor amenizado pela constante viração. (STUDART,
1910, p. 24).
Em 13 de abril de 1726, a Fortaleza de Nossa Senhora de
Assunção (Figura 3) foi elevada à categoria de vila pelo governo metropolitano. Durante todo o século XVIII, mesmo sendo a vila, morada dos
capitães mores da capitania, Fortaleza continuou um povoado pobre,
abandonado e insignificante, mantendo função puramente administrativa e não se destacando pelas atividades econômicas, pois estava isolada dos principais centros populacionais do Ceará.
87Fortaleza, capital do Ceará: transformações no espaço urbano ao longo do século XIX
Figura 3 - Carta de Fortaleza em 1726, mandada executar por Manuel Francês.
Fonte: Castro, 1982.
Numa classificação estabelecida por Maria Salete de Souza
(1975), no Século XVIII, as vilas de maior importância do Ceará estavam no interior Sobral e Crato, à exceção de Aracati, no litoral
leste. Em seguida estava o Quixeramobim no sertão central. Em terceiro lugar estavam as vilas de Fortaleza, Granja e Aquiraz.
O primeiro presidente da capitania autônoma, Bernardo
Manuel de Vasconcelos, ao chegar a Fortaleza, espantou-se com a
pobreza da capital onde havia “uma falta absoluta de todas as cousas
de primeira necessidade”. E comparou-a à vila de Aracati de “numerosa população, comércio bem estabelecido”, acrescentando que: “A
civilidade, a polidez de seus habitantes fazem esta Vila [o Aracati]
assás recomendável, juntando a isso uma agradável e regular arquitetura nas suas casas, e no grande número delas os donos possuem
avultados cabedais”. Enquanto a vila de Fortaleza era “um montão de
areia profundo apresentando do lado pequenas casas térreas, encontrando nesta classe a muito velha e arruinada casa dos governadores”.
(Ofício de 1º. 01.1800).
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2 Sítio urbano: aspecto da vila no começo do século XIX.
O vento que vinha de longe, na tarefa de dar à costa do Ceará a
forma retilínea que um dia tomará, alinhando-se por ele, incumbiu-se de aterrar os lagamares do perímetro da futura cidade,
lançando sobre eles uma quantidade enorme de areias e fazendo-os perder o seu primitivo caráter de marinhas. A esse poderoso
instrumento das transformações da terra, deve Fortaleza o assento que lhe coube. (JOÃO BRÍGIDO, Fortaleza de 1810).
No começo do século XIX, Fortaleza ainda crescia lentamente, à
margem esquerda do Pajeú, acompanhando as tortuosidades deste rio,
principal fonte de abastecimento de água. O riacho do Pajeú dividia as
terras imediatas à Fortaleza de N. Senhora da Assunção em duas zonas
distintas. Na margem direita, a elevação do Outeiro da Prainha, alargava-se até a descida para o mar, cujas águas lambiam suas encostas.
Ali foi construído o seminário episcopal que ficou conhecido como
Seminário da Prainha. À margem esquerda, com seu terreno ondulado
pelas dunas formadas pela força do vento era cortada por um tributário
do Pajeú: o córrego do Garrote que formava a lagoa do Garrote. As duas
elevações separadas pela depressão onde corriam os córregos ficaram
conhecidas como: colina do Teatro Taliense, ao sul, na Rua Formosa, e
colina da Misericórdia ou Marajaitiba, ao norte onde se erguia o forte e
foram estabelecidas a Santa Casa de Misericórdia e a Cadeia Pública.
Em torno dessas duas principais colinas, erguiam-se outras cinco pequenas formando um total de sete. Dentre elas destaque merece pela
importância posterior para a cidade, a elevação da Aldeota, antiga povoação de índios. (GIRÃO, 1997, p. 35).
O comerciante inglês Henry Koster fixou-se em Pernambuco no
começo do século XIX a ver se o clima quente e seco do Nordeste o
ajudava a tratar uma tuberculose incipiente. Em Viagens ao Nordeste do
Brasil (1941), publicado em 1816, em Londres, Koster descreve
Fortaleza, entre o final do ano de 1809 e começo de 1810:
Não há rio nem cais e as praias são más e de acesso difícil. As
vagas são violentas e o recife oferece proteção diminuta aos navios, viajando ou ancorados perto da costa (...) A vila, edificada
sobre terreno arenoso, (...) situava-se numa colina ao pé da for89Fortaleza, capital do Ceará: transformações no espaço urbano ao longo do século XIX
taleza que lhe deu o nome e, tanto a Fortaleza quanto o paiol de
pólvora erguiam-se sobre uma montanha de areia. Não obstante
a má impressão geral, pela pobreza do solo em que esta Vila está
situada, confesso ter ela boa aparência, embora escassamente
possa este ser o estado real dessa terra. (KOSTER, 1942, p.165).
A vila de Fortaleza apresentava formato quadrangular com quatro
ruas partindo da Praça do Conselho (atual Praça da Sé), onde ficavam o
pelourinho e a Igreja da Matriz. De acordo com Malmmann, as quatro
ruas mencionadas por Koster eram a antiga Rua da Cadeia ou do
Quartel; a Rua da Boa Vista, atual rua Floriano Peixoto; a rua dos
Mercadores, na margem oriental do riacho do Pajeú e a rua da Fortaleza,
depois denominada rua da Misericórdia. Havia também, outra rua, a das
Flores, “bem longa, do lado norte desse quadro, correndo paralelamente, mas sem conexão” e que passava defronte à Matriz. (Koster
apud MALMMANN, 1931, p.19).
Figura 4 - A vila de Fortaleza em 1811. Aquarela de Francisco Antônio Marques de Giraldes. Fonte: Reis Filho, 2000.
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Na planta de Fortaleza, elaborada por Silva Paulet, em 1813,
pode-se visualizar a vila visitada por Koster. Observa-se um aglomerado de casas na altura da ponta da Prainha, próximo ao ancoradouro. A
maior concentração de edificações está à esquerda do riacho Pajeú, se
espalhando para o interior, na direção sul da lagoa do Garrote. Já estão
presentes os caminhos, que orientaram inicialmente o crescimento de
Fortaleza, dispostos de modo mais geral, em forma radioconcêntrica:
Estradas de Jacarecanga, de Soure, de Arronches, do Aquiraz, da
Precabura, e a Picada de Macoripe. Posteriormente a vila cresceria,
obedecendo ao traçado em xadrez que seria proposto por Paulet.
Os edifícios públicos - Palácio do Governador, Casa da Câmara,
Cadeia, Alfândega e a Tesouraria - eram pequenos e baixos, “mas
limpos e caiados, e perfeitamente adaptados aos fins a que se propunham”, diz Koster (1942). Estava em construção a igreja matriz que
tinha “por invocação São José de Ribamar”. O Palácio do Governo era
a única habitação da cidade assoalhada. Koster, que foi recepcionado
pelo presidente da capitania Luiz Barba Alardo de Menezes (18081811), observou que eram excelentes as casas de governo, dos camaristas e da inspeção do algodão e bom o quartel de infantaria, onde se
localizava a Capela de Nossa Senhora d’Assumpção, “com bastante
perigo o hospital militar”. (1897, p. 42). O governador concordava que
a localização de alguns equipamentos públicos era imprópria. A Casa
da Junta da Real Fazenda, Contadoria e Real Erário que ficavam “por
cima da cadeia e calabouço, com tanta impropriedade, risco e encommodo dos officies das ditas”, o que levou a que os “claviculários” solicitassem sua mudança. (MENEZES, 1897, p. 41)
O autor da Descripção geográfica abreviada da capitania do
Ceará, incorretamente atribuída a Silva Paulet, criticou o mau uso e a
decadência da Casa da Câmara.
Há uma caza de câmara arruinada: não tem cadeia, e servem-se
as autoridades civis de uma cadeia militar; o que dá motivo a
uma infinidade de contradições e etiquetas, que se não podem
emendar, em muito detrimento da expedição das dependências
criminaes. (1898, p. 16).
O mesmo autor também ressaltou a pobreza do comércio de
Fortaleza: “A villa é pobre, seo commercio de pouco vulto, ainda que o
91Fortaleza, capital do Ceará: transformações no espaço urbano ao longo do século XIX
porto é soffrivel, (...) o commercio é muito menor do que o de Aracati”.
(1898, p. 16). Impressão que levara poucos anos antes o inglês Koster:
A dificuldade de transportes, terrestres, particularmente nessa
região, e a falta de um porto, as terríveis secas, afastam algumas
ousadas esperanças no desenvolvimento de sua prosperidade.
O comércio do Ceará é limitado e, provavelmente, não tomará
grandes impulsos. (1942, p. 164).
Apesar de pobre, a vila de Fortaleza cresceu sob a égide do vento,
da luz, do clima quente, porém pouco úmido e dos espaços largos, que
a cercaram, associados a uma condição natural de salubridade.
3 O tenente coronel de engenharia Silva Paulet e o
disciplinamento da vila
A carta real de 17 de janeiro de 1799 emancipou o Ceará da
Capitania de Pernambuco. Este fato, que resultou na permissão de comércio direto com o reino, contribuiu para o crescimento da Capital. O
primeiro governador da capitania, Bernardo Manuel de Vasconcelos, registrou: “progressos do dito comércio têm resultado um bom número de
casas de que a mesma vila se vê acrescentada chegando ao todo dezesseis, todas térreas, as quais acabadas até julho e estariam antes se houvesse artífices suficientes para este fim.” (apud GIRÃO, 1979, p. 67).
A abertura dos portos em 1808 possibilitou o incremento do comércio direto da Capitania com alguns portos da Europa, o que até
então era intermediado por Pernambuco. Em 1809, saíram pelo porto de
Fortaleza, 3.386 sacas de algodão com 11.271 arrobas, com destino a
Pernambuco e Inglaterra. (STUDART, 1896, p. 488). Em maio de 1811,
o irlandês William Wara fundou a primeira casa estrangeira de comércio
direto com a Europa, ampliando-se o volume exportado, que atingiu
uma média de 16 a 17 mil arrobas por ano. (STUDART, 1896, p. 489).
Luiz Barba Alardo de Menezes (1808-1811), terceiro governador
da Capitania, impulsionou a agricultura e fundou uma fábrica de louça
vidrada (1809), em Fortaleza. Preocupado com o abastecimento da população local, em 15.06.1809, determinou a construção de um mercado
público, em que estava definido: “vendam aos sábados todos os víveres
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de primeira necessidade e se faça annualmente uma feira franca”. A
primeira feira semanal de Fortaleza ocorreu em 1º. 7.1809. (STUDART,
1896, p. 483).
Neste novo cenário teve inicio a preocupação do poder público
em organizar e direcionar o crescimento de Fortaleza. Um marco na
ordem urbana foi a contratação de Manuel Ferreira da Silva, para o
cargo de arruador, em 1º de julho de 1800 com o objetivo de dar às ruas
certa orientação e regularidade e disciplinar o traçado da vila de
Fortaleza. Essa mesma administração ordenou também a construção de
um açougue, em 1802. (MALMMANN, 1931).
Em decreto datado de 06.02.1808, o ouvidor Francisco Affonso
Ferreira, com o objetivo de conter a ocupação rarefeita da vila e a má
distribuição da população, determinou que a Câmara de Fortaleza proibisse a edificação de casas no fim da rua que seguia para a Estrada de
Messejana “afim de que os povos com esta prohibição se desponhão a
fazel-o no centro da villa e no terreno da casa da pólvora”. (STUDART,
1896, p. 480). O levantamento da décima urbana4 de 1808 revelou a
existência de 150 prédios para uma população de aproximadamente
1.000 habitantes, segundo avaliação de Sabóia Ribeiro (1955, p. 3). Na
vila havia três igrejas, a da Matriz, a capela da Fortaleza da Assunção e
a ermida do Rosário.
Constatada a necessidade de se construir edificações públicas e
elaborar normas para a expansão da vila, o governador da Capitania do
Ceará, de 1812 a 1820, Coronel Manuel Inácio de Sampaio, trouxe
como seu ajudante de ordens, o português Tenente-Coronel Engenheiro
Antônio José da Silva Paulet. Sampaio iniciou a organização administrativa da Capitania instalando a Alfândega (1º.07.1812), repartição
destinada a arrecadação dos impostos de entrada e saída de gêneros;
implantando o Correio (1º.5.1812) e promovendo a reconstrução da
4 “Décima Urbana" ou "Décima dos Rendimentos dos Prédios Urbanos" era um imposto
arrecadado pela Superintendência da Décima, órgão criado pelo alvará de 27/6/1808.
No início este imposto era cobrado apenas no município do Rio de Janeiro, mas logo
depois foi estendido às "cidades, vilas e lugares notáveis situados à beira-mar”. A
Décima Urbana converteu-se, muito mais tarde, no Imposto Predial e Territorial
Urbano, que subsiste até hoje. (LEIS DO BRASIL, 1808, 1830 e 1831, apud http://
www.receita.fazenda.gov.br/Historico/SRF/Historia/.htm).
93Fortaleza, capital do Ceará: transformações no espaço urbano ao longo do século XIX
Fortaleza da Assunção de pedra e alvenaria, bem como a construção de
edifícios públicos, dentre eles o mercado (1815-1818), obras todas sob
a orientação de Paulet. O Conselho da vila celebrou contrato com o tenente coronel João da Silva Feijó5, em 11.07.1812, de cessão de uma
das nascentes de água de seu sítio, para a construção de um chafariz
público. (STUDART, 1896).
Figura 5 - Planta de Fortaleza elaborada por Silva Paulet, 1813. Fonte: Castro, 1982.
Silva Paulet elaborou o primeiro plano de expansão da vila, que
se tornou a matriz básica da forma urbana da cidade de Fortaleza.
Inspirado no traçado em xadrez, desprezou o sentido de seu crescimento
natural, que tendia a acompanhar as tortuosidades do Pajeú. Daí em
diante, as novas edificações passaram a ser guiadas pelo traçado urbano
de ruas paralelas (xadrez), interrompendo assim “o seguimento natural
de ruas do núcleo primitivo”. (SABÓIA RIBEIRO, 1955, p. 226).
5 Naturalista brasileiro João da Silva Feijó (1760-1824), comissionado pela Coroa
Portuguesa, foi enviado à Capitania do Ceará em 1799, para ocupar o posto de “sargento
mor das milícias”, tendo sido incumbido de vários estudos de História Natural.
Revista do Instituto do Ceará - 201494
Para Liberal de Castro, apesar da reduzida área ocupada pelo
plano de Paulet, este orientou o crescimento da malha urbana:
Constava de duas ou três ruas perpendiculares à linha de continuação da divisa do terreno do quartel da Fortaleza, portanto
paralelas e dispostas na direção norte-sul, além de cortadas ortogonalmente por “travessa”. (1994, p. 50).
Fortaleza nasceu, realmente, de um traçado sobre um papel. O
plano de expansão orientou as ações do poder público local e só assim
foi possível que o traçado de linhas fixado no projeto servisse de modelo à dinâmica de uma cidade real. Em 1823, alguns meses após a
Independência, o imperador Pedro I elevou por decreto todas as vilas
que fossem capitais de província à categoria de cidade6. Assim,
Fortaleza, vila desde 1726, tornou-se cidade, com a denominação de
Fortaleza de Nova Bragança.
4 A hegemonia urbana de Fortaleza e o governo de Alencar
Desde o final do século XVIII, o algodão do Ceará fazia parte da
agenda de produtos exportados pelo Brasil. A vila, aos poucos, foi
sendo dotada de infraestrutura e serviços para atender às transações comerciais diretas com Lisboa, iniciadas em 1804. Durante o século XIX,
com o avanço da indústria têxtil na Europa, aumentou consideravelmente a demanda pelo produto. A partir de meados do século XIX, a
queda na produção de outros fornecedores e a Guerra da Secessão
(1861-64) nos Estados Unidos, poderoso concorrente, contribuíram
para expandir significativamente a indústria algodoeira cearense e para
dinamizar o comércio de sua capital.
O processo de hegemonia urbana de Fortaleza se iniciou, portanto, na primeira metade do século XIX e se completa na segunda
metade. A centralização do poder político e administrativo iniciada no
primeiro Reinado e que marcou todo o período imperial privilegiou as
6 No momento da Independência do Brasil, em 1822, Fortaleza contava com 45 ruas
espaçosas, 2 travessas, 4 bulevares, 16 praças, 3.855 casas compreendendo as estradas
empedradas do Visconde de Cauhipe e da Pacatuba, 10 igrejas e 24 edifícios públicos.
(STUDART, 1896).
95Fortaleza, capital do Ceará: transformações no espaço urbano ao longo do século XIX
capitais das províncias. (LEMENHE, 1991). Este fato e a concentração
de um volume maior da produção para o comércio externo favoreceram
o crescimento econômico de Fortaleza e contribuíram para que a maior
parte de investimentos governamentais em edificações, infraestrutura e
serviços se fixasse na capital.
Na primeira gestão do cearense José Martiniano de Alencar,
entre 1834 e 1837, quando implantou a Assembleia Legislativa (1835),
o progresso econômico e político-administrativo do Ceará ganhou
forte impulso. Em 1835, foi criado o Banco Provincial do Ceará, com
capitais privados (extinto em 1851). Alencar estimulou a construção de
açudes de pedra e cal; importou o primeiro engenho a vapor da província e incentivou o cultivo e a fabricação do chá, café e açúcar. A fim
de suprir a falta de braços para a lavoura, organizou uma Companhia
de Trabalhadores cujos salários seriam pagos pelos próprios agricultores e mandou buscar colonos estrangeiros - trabalhadores agrícolas e
especializados nos ofícios de ferreiro, pedreiro, carpina e factura de
estradas. Também solicitou ao governo imperial o envio de cinco “professores dignos deste nome” para residir nas cinco primeiras localidades da Província, isto é, Fortaleza, Aracati, Icó, Crato e Sobral.
(NOGUEIRA, 1889).
A administração de Alencar foi muito benéfica para o progresso
de Fortaleza. Ele dotou a capital com iluminação a azeite; fez o reservatório do Pajeú; construiu chafarizes, uma aguada pública para as lavadeiras de roupa, uma ponte de pedra e cal sobre o riacho do Pajeú, facilitando o acesso ao bairro da Prainha, onde se encontrava a Alfândega;
abriu poços (Cacimba do Povo, próximo ao Colégio das Órfãs); mandou
construir estradas “da capital para Mecejana e d’ahi para Aracati, Icó e
Crato; e ainda da capital para Soure, Maranguape, Baturité, e Sobral” e
fazer estudos para o melhoramento do porto. (NOGUEIRA, 1889).
Alencar determinou a plantação de árvores de ambos os lados das
estradas para sombreá-las e que nenhuma tivesse menos de 32 a 40
palmos de largura, aproximadamente 7 e 8 metros (NOGUEIRA, 1889).
Estas estradas, ligando as regiões produtoras de algodão e de culturas
de subsistência, facilitaram o deslocamento da produção para a capital,
colaborando para o desenvolvimento do seu comércio. Visando a
orientar o crescimento da cidade e dar instrumentos à administração
para agir legalmente e com desembaraço, Alencar aprovou a lei nº 36 de
Revista do Instituto do Ceará - 201496
05.10.1837, que permitia a desapropriação por utilidade Municipal e
Provincial. (CAMPOS, 1988, p. 50).
O botânico Freire Alemão7, em 3 de maio de 1859, descreve em
diário as conversas com o Sr. Franklin de Lima8, quando ressalta o
papel do futuro senador Alencar para o desenvolvimento da província.
Diz que a cidade era insignificante, sem estabelecimento, mas
que na administração do senador Alencar tudo prosperou muito,
principalmente com o estabelecimento dum banco provincial;
que antes dele não havia dinheiro, era tudo miséria; que com a
criação do banco apareceram edifícios e muito prosperou a cidades. Foi Alencar o que deu impulso à cultura da cana e fabrico
do açúcar, etc.! (1859/1964, p. 206).
5 A Fortaleza de Boticário Ferreira (1843-1859)
O período entre as secas de 1845 e 1877 é considerado pelos
historiadores como um dos mais ricos para a economia cearense, pois
foi de bons “invernos” e com o algodão alcançando preços elevados no
mercado internacional (GUABIRABA, 1989). Aumentaram-se as
trocas. O comércio diversificou-se, com o desenvolvimento da cultura
de café e da exportação da borracha de maniçoba. O excedente da produção de açúcar e da cultura de subsistência era vendido para outras
províncias. O forte desenvolvimento econômico experimentado pelo
Ceará contribuiu para atrair novos moradores e ampliar o número de
empregos e de serviços urbanos na Capital.
A proximidade das zonas agrícolas mais produtivas e das rotas
comerciais e marítimas e o comércio importador e exportador favoreceram a drenagem dos excedentes da província para capital, o que favoreceu a sua expansão. O crescimento econômico refletiu-se na paisagem
urbana e na organização do espaço, que exigiu um maior controle. A
cidade foi crescendo, seguindo em parte a legislação. Em 1848, a popu7 O médico Freire Alemão foi responsável pelo setor de Botânica da Comissão Cientifica
de Exploração das províncias do Norte, organizada pelo Instituto Histórico e Geográfico
Brasileiro (IHGB), que chegou a Fortaleza em 1859.
8 Franklin de Lima responsável pela introdução do teatro em Fortaleza e da contratação
do primeiro músico, em 1834, para ensinar piano às filhas.
97Fortaleza, capital do Ceará: transformações no espaço urbano ao longo do século XIX
lação de 8.900 habitantes estava distribuída em 1.418 casas, das quais
571 de tijolo e telha. Naquele ano foi inaugurada a iluminação pública
a azeite de peixe, que foi substituída pelo gás carbônico, em 1866.
(SABÓIA RIBEIRO, 1955, p.226).
Antônio Rodrigues Ferreira foi o presidente da Câmara entre os
anos de 1842 e 1859 e teve um papel importante na organização espacial da cidade. O Boticário Ferreira, como era mais conhecido, procurou seguir à risca as diretrizes de Silva Paulet: providenciou o aumento e a abertura de ruas, modificando o traçado defeituoso e
ampliando o traçado em xadrez projetado por Paulet; demoliu casebres,
vielas e becos escusos, como o do Cotovelo, encravada na futura Praça
Municipal e desapropriou os chamados quartos da Agostinha, onde foi
construída a Assembleia Provincial; desobstruiu, alinhou, arborizou e
aformoseou as praças Municipal (Feira Nova) e da Carolina, mandando
cavar nelas dois cacimbões revestidos de pedra de Lisboa para fornecer
água à população; promoveu um novo alinhamento na Praça do Garrote
(atual Praça dos Voluntários da Pátria), abrindo passagem para a atual
avenida Visconde do Rio Branco e retirou “as casas de palha que existiam entre a Sé e o Palacete do Dr. José Sabóia, próximo ao palácio
Episcopal”. (NOGUEIRA, 1887).
As mudanças no aspecto geral da cidade podem ser constatadas
nas descrições de Fortaleza feitas por estrangeiros que a visitaram na
segunda metade do século XIX. Alexandre de Belmar, em sua Voyage
aux Provinces Brésiliennes du Pará et des Amazones em 1860, precedé
d’un rapide coup d’oeil sur le littoral du Brésil, publicado em Londres
em 1861, assim descreve a cidade:
Fortaleza é uma cidade nova, de aspecto europeu, cujas ruas,
alinhadas a cordão, são embelecidas com alguns edifícios de notável elegância, no número dos quais convém colocar o palácio
do governo, um belo quartel e, sobretudo a igreja catedral. Sua
população é de cerca de 25 mil almas. Encontra-se aí um Liceu, uma Junta de Comercio, hospital e, nos arrabaldes, cerca
de 1500 casas de palha, que servem de abrigo à classe pobre.
(BELMAR, 1898, p. 20).
O suíço Agassiz deixou suas impressões sobre Fortaleza no livro
Viagem ao Brasil (1865-1866):
Revista do Instituto do Ceará - 201498
Figura 6 - A cidade de Fortaleza. Desenho de José dos Reis Carvalho – Comissão
Cientifica de Exploração (1859). Fonte: Chaves et al., 2009.
Amo a physionomia do Ceará. Amo suas ruas largas, asseiadas,
bem calçadas, resplandescentes de todas as cores, porque as casas que as bordam são pintadas de tons os mais variados. (...). O
Ceará não tem esse ar triste, sonolento de muitas cidades brasileiras; sente-se aqui movimento, vida e prosperidade. (AGASSIZ,
1938, p. 532).
As várias descrições de Fortaleza feitas por viajantes, historiadores, presidentes de província, escritores ressaltavam a salubridade
da cidade em diferentes momentos. Agassiz destacava sua localização salubre:
Na frente da pequena cidade, corre uma extensa praia e o barulho do mar, batendo forte nos recifes, chega até o quarteirão
central. Assim, colocada entre a montanha e o mar, Ceará deve
ser uma cidade salubre; é, com efeito, a reputação que gosa.
(1938, p. 532).
Em 1859, a frente marítima de Fortaleza foi retratada pelo pintor
José dos Reis Carvalho, membro da Comissão Cientifica formada de
membros da Academia de Ciência do Império. Segundo Gonçalves
Dias9, responsável pelo levantamento etnológico, os estabelecimentos
públicos, que não eram poucos, “são grandiosos relativamente e têm
9 Antônio Gonçalves Dias, poeta romântico brasileiro (Caxias, MA, 1823 - no mar,
perto de Guimarães, MA, 1864), foi considerado o criador da imagem romântica e épica
do índio brasileiro. Obras principais: Primeiros cantos (1847); D. Leonor de Mendonça
(drama, 1847); Segundos cantos (1848); Últimos cantos (1851); Os timbiras (1857);
Dicionário da língua tupi (1858); Vocabulário da língua geral usada no alto Amazonas
(1859); O Brasil e a Oceania (1910).
99Fortaleza, capital do Ceará: transformações no espaço urbano ao longo do século XIX
uma arquitetura simples e elegante”, adequada às suas funções. Destaca
o Palácio do Governo, “vasto e singelo, com sobrado pela frente e
fundos térreos”, quartéis para as tropas e para a Polícia, Tesouraria,
Liceu, Casa de Educandos, Igreja Matriz, Cadeia, Cemitério, etc. (DIAS
apud BRAGA, 1962, p. 227).
No que esta pequena cidade leva vantagem ao monstruoso Rio
de Janeiro, é que seus estabelecimentos públicos, que não são
poucos, são grandiosos relativamente, têm uma arquitetura simples e elegante; e mais que tudo são feitos de propósito e acomodados ao seu destino. (DIAS apud BRAGA, 1962, p. 227).
O desenvolvimento de Fortaleza continua durante a década seguinte. Em 1863, segundo a descrição do Senador Pompeu, tinha oito
praças providas de cacimbas públicas, três delas muito arborizadas. Sua
população alcançava 16.000 habitantes, “contando com os subúrbios occupados por casa de palha.” Edificada quase “a borda do mar” tinha oito
extensas ruas muito direitas, espaçosas e calçadas, onde se distribuíam
960 casas de tijolo e, entre estas, uns 80 sobrados. Fora do alinhamento
“equilibravam-se sobre as dunas” mais de 7.200 casas de palha.
Os edifícios mais notáveis são: o palácio do governo, o hospital
da Mizericórdia, os quartéis militares de primeira linha e polícia,
a casa dos educandos artífices, a cadeia, o paço da municipalidade, a cathedral, as duas thesourarias, a alfândega, o armazém
da pólvora, o cemitério &. Seu porto, formado por um arrecife, e
que vae areiando consideravelmente, tem uma ponte ou trapiche
de desembarque, e na ponta do Mucuripe um pharol de luz fixa.
(T. P. S. BRASIL, 1863, p. 23).
Em 1867, ao sul do córrego do Garrote, num divisor de água que
hoje tem como ápice topográfico a atual Praça Clovis Beviláqua, foram
instalados os reservatórios da Ceará Water Works Co. nos quais a água
era impulsionada para os chafarizes pela lei da gravidade. No sopé do
morro do Croatá, foram construídas em 1873 as instalações da estrada
de ferro e, ao sul, na margem direita do riacho do Garrote, no alto do
Pimenta, também chamado de alto da Boa Vista, foi construída a igrejinha de Nossa Senhora das Dores, no mesmo lugar onde se ergueu
mais tarde a Igreja do Coração do Jesus. (GIRÃO, 1997).
Revista do Instituto do Ceará - 2014100
William Seully, autor do livro “Brazil; its Provinces and Chief
Cities; the manners and customs of the People; Agricultural, commercial and other Statistics”, publicado em Londres, em 1866, destaca as
ruas largas e cuidadosamente calçadas. “Uma das suas sete praças é
bem plantada e a cidade contém uma fonte e três reservatórios d’água”.
(apud STUDART, p. 354).
O censo de 1° de agosto de 1872 revelou que o município possuía
42.458 habitantes, dos quais, menos da metade morava na área urbana.
A população do Ceará era de 721.686 pessoas. (CASTRO, 1982).
6 Plantas10 que orientaram a expansão da cidade
A forma urbana de Fortaleza resultou da ação de diversos agentes,
que elaboravam plantas de expansão da cidade. De modo geral, aqueles
que modelaram a paisagem da cidade tiveram o apoio dos que comandavam a execução de obras e dos administradores e legisladores que
aprovavam os códigos de posturas e outras leis. Não podemos esquecer
como afirma Claval (1981, p.294), que “a organização do espaço urbano não é fruto apenas de uma única vontade que tudo planeja e atribui
a cada um o seu lugar”. 11
As formas urbanas são sempre o fruto de múltiplas iniciativas
individuais. Elas nascem sempre de uma organização coletiva; a
arte urbana torna-se então a realização de uma elite distinguida
por seus conhecimentos e por sua cultura: são eles que controlam
a construção e impõem as cidades seus traços (1981, p. 294).12
10 Essas plantas, ora em exame, compreendem: 1. Levantamentos da situação existente
(Herbster, 1859 e 1888); 2. Levantamento das partes construídas e propostas não
executadas (Farias, 1850; Medeiros, 1856); 3. Planos de expansão urbana (Herbster
1861/63 e 1875). (CASTRO, 2011)
11 “…l’organisation de l’espace urbain n’est jamais le fruit d’une seule volonté qui
planifie tout et attribute à chacun a sa place” (p.294).
12 “Les formes urbaines ne sont pas toujours le fruit d’une multitude d’initiatives
individuelles. Elles naissent souvent d’un aménagement colectif; l’art urbain deviant
alors le fait d’une élite de gens distingués par leurs connaissances et par leur culture:
c’est eux qui contrôlent la construction et imposent aux cités leurs traits”. (CLAVAL,
1981, p. 294).
101Fortaleza, capital do Ceará: transformações no espaço urbano ao longo do século XIX
Nos países de origem colonial como o Brasil, segundo Claval
(1981), as formas urbanas criadas pelo colonizador se impõem às populações muito mais do que aquelas criadas por elas mesmas. Em muitos
casos ocorreram modificações ou reinterpretações dos projetos pelos
agentes locais. “O estudo da forma revela a diversidade dos planos, a
proliferação de tipos de construção e a multiplicidade das tradições
populares”.13 (CLAVAL, 1981, p. 514).
No caso de Fortaleza, a análise das quatro plantas elaboradas durante a década de 1850 revela que a cidade foi se definindo pelo traçado
em tabuleiro de xadrez, projetado pelo tenente coronel dos engenheiros
português Silva Paulet.
O arruador-cordeador do município Antônio Simões Ferreira organizou duas plantas a pedido da Câmara: a primeira planta foi levantada em 1850 e a segunda em 1852. O arquiteto Liberal de Castro analisa a planta de 1850 e destaca os limites da cidade: ao norte, rua Nova
da Fortaleza (depois da Misericórdia, e hoje, João Moreira), a oeste a
rua Amélia (Senador Pompeu), ao sul a rua Pedro I, a sudeste estão a
lagoa do Garrote (futuro Parque da Liberdade) e o açude do Pajeú, hoje
aterrado, (esquina da Visconde do Rio Branco com Pinto Madeira). O
riacho Pajeú apresentava-se como uma barreira física à expansão para o
leste e a chamada Praia tinha uma ocupação irregular, “quase espontânea”. Dentre os marcos urbanos mais significativos estavam: a fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, a matriz de São José, o quartel da
tropa de linha, o pequeno prédio da Tesouraria Provincial, o largo do
paiol (terreno baldio, local do futuro Passeio Público), a praça Municipal,
a praça Carolina, onde se vê o mercado publico, com pátio interno. No
lado leste estão a igreja da Conceição da Prainha e um cemitério, que
logo foi interditado, por sua localização imprópria. Já estava prevista
uma gleba para a construção do Colégio das Educandas, realizada em
1855. (CASTRO, 2005).
13 “L’étude de forme revele la diversité des plans, le foisonnement des types de
construction et la multiplicité des traditions populaires”. (CLAVAL, 1981, p. 514).
Revista do Instituto do Ceará - 2014102
Padre Manuel do Rego de Medeiros, a partir do levantamento cadastral, elabora a planta de 1856. Esta é uma boa representação cartográfica, em termos de detalhamento da área arruada, da que seria a Fortaleza
do Boticário Ferreira. A planta do padre Manuel Rego apresenta ruas
bem alinhadas, praças bem delimitadas e vários edifícios públicos14.
14 Nessa planta há vários locais e edificações fáceis de identificar: o cemitério de S.
Casemiro, a Cadeia (Centro de Turismo), o Hospital de Caridade (Santa Casa de
Misericórdia), o quartel (fortaleza), Tesouraria central, Tesouraria Provincial e as várias
praças - Praça da Amélia (da Estação), Largo do Hospital de Caridade (Passeio Público),
Praça do Patrocínio (José de Alencar), Praça Nova (do Carmo), Largo da Matriz (Praça
Figura 7 - Planta de Fortaleza (1850) elaborada pelo arruador-cordeador da municipalidade Antônio Simões Farias. Fonte: Castro, 2005.
103Fortaleza, capital do Ceará: transformações no espaço urbano ao longo do século XIX
O historiador Barão de Studart atualiza os nomes das ruas dessa
planta para o ano de 1906. Muitos deles permanecem até hoje:
Nella figuram as ruas da Lagoinha (Tristão Gonçalves), do Patrocínio (General Sampaio), Amélia (Senador Pompeu), Formosa, da Palma (Major Facundo) com o seu prolongamento Rua do Fogo, ruas da Alegria, da Pitombeira e das Bellas que
constituem hoje a Rua Floriano Peixoto, Rua Larga que é a actual Cel. Bezerril, Rua do Rosário ainda hoje com o mesmo nome,
rua dos Mercadores, chrismada depois com o nome de Conde
d’Eu e hoje Senna Madureira, rua da Matriz, Rua do Norte, Rua
do Oiteiro, Rua da Ponte, Rua dos Chafaris e rua d’Alfandega.
(1906, p. 111).
da Sé), Praça Municipal (Ferreira), Largo do Garrote (Praça dos Voluntários, Polícia).
Mais afastado, ultrapassando o rio Pajeú já existia a capela da Conceição, que deu lugar
ao Seminário da Prainha e o Cemitério da Praia, que após um único sepultamento foi
interditado, pois a sua localização a barlavento foi considerada perigosa para a cidade.
Figura 8 - Planta da cidade de Fortaleza, levantada no ano 1856, pelo Padre Manoel
do Rego Medeiros. Fonte: Castro, 1982, p. 58.
Revista do Instituto do Ceará - 2014104
A planta da cidade, datada de abril de 1859, foi levantada por
Adolpho Herbster: “Planta Exacta da Capital de Fortaleza”. O engenheiro fora contratado pela Câmara Municipal para planejar e controlar
a expansão de Fortaleza e teria grande papel no aspecto com que a cidade chegou ao século XX.
Em 1868, foi publicada no Atlas do Império do Brasil, do maranhense Candido Mendes de Almeida, editado, “Planta topographica da
cidade da Fortaleza, Capital do Ceará, levantada e organizada em 1863
pelo engenheiro da província e archicteto da câmara municipal Adolpho
Herbster” (manuscrito). Esta planta, de acordo com Castro (1994, p.
85), atendia a uma demanda da Câmara, de elaboração de um plano de
Figura 9 - Planta exacta da capital do Ceará por Adolphe Herbster, abril 1859.
Fonte: Castro, 1982.
105Fortaleza, capital do Ceará: transformações no espaço urbano ao longo do século XIX
expansão para “resolver problemas surgidos com o crescimento fortalezense”. Ressalta-se ainda a presença do cemitério São Casemiro e o
anexo dos Ingleses.
Em 1875, Herbster elaborou a “Planta Topográfica da Cidade de
Fortaleza e Subúrbios”, influenciado pelo urbanismo do Barão
Haussmann, reformador de Paris (1853-1870). Nela, Herbster projetou
uma sequencia de “ruas largas”, limitando o núcleo urbano da cidade e
que receberiam os nomes de Boulevard do Imperador (Avenida do
Imperador), Boulevard da Conceição (Avenida D. Manuel) e Boulevard
do Livramento (Avenida Duque de Caxias). O plano, de traçado expansionista, levava o sistema xadrez muito além da parte construída, estenFigura 10 - Planta topographica da cidade de Fortaleza e seus subúrbios (1875)
por Adolphe Herbster. Fonte: Castro, 1982.
Revista do Instituto do Ceará - 2014106
dendo a cidade para leste, até a Rua da Aldeota (hoje Nogueira Acioli);
para sul, até a rua dos Coelhos (Domingos Olímpio), e para oeste até as
Praças Gustavo Barroso e Paula Pessoa. O alinhamento de algumas
ruas exigiu a eliminação de alguns arruados.
Em 1888, a terceira planta de Fortaleza levantada pelo engenheiro, ampliava e consolidava ainda mais o enxadrezamento e a remodelação da cidade. A proposta de Herbster foi tão significativa para
Fortaleza, que, até hoje, o centro principal da cidade está ainda circunscrito aos limites das avenidas por ele traçadas. O censo de 1887, feito
pela Chefia de Policia, encontrou 19.281 habitantes na área urbanizada.
Figure 11 - Planta da cidade de Fortaleza (1888) por Adolphe Herbster.
Fonte: Castro, 1982.
107Fortaleza, capital do Ceará: transformações no espaço urbano ao longo do século XIX
Segundo Malmmann (1931), a cidade se concentraria na área delimitada pelos três bulevares traçados por Herbster, onde habitava a maior
parte da população, que estavam distribuídos em 72 sobrados, 4.447
casas térreas e 1.278 choupanas e os 36 edifícios públicos.
A implantação de infraestrutura e serviços em áreas de adensamento e de população de maior poder aquisitivo, foi o fator preponderante no direcionamento da expansão de Fortaleza e da valorização da
terra. Cresce a população, aumenta a cidade, assim como os problemas
de ordem sanitária. Enquanto os serviços de iluminação a gás (1867),
telefonia (1891), sistema de transporte urbano (1880) foram os primeiros a serem implantados, a rede geral de água e esgoto, fundamental
para garantir a salubridade urbana, somente é inaugurada em 1927, contemplando o centro e os bairros de população de maior renda.
7 Considerações finais
Desde a chegada, a marca que a seca imprimiu a região torna-a
sensivel. Um longa linha de dunas, fulvas e nuas, brilhando sob
o sol, borda o mar resplandescente. A pequena « cité » de Fortaleza se esconde detras, cercada de um oasis de coqueiros; nos
arredores da cidade, construída à moda europeia, um povoado
de casas primitivas se abriga entre palmeiras. (DENIS, 1909,
p. 271).15
A paisagem da Fortaleza descrita pelo francês Pierre Denis, no
início do século XX, expressa as condições naturais que marcaram a
sua edificação, como tambem a presença europeia em seu traçado e arquitetura. Ele descreve uma pequena cidade escondida por trás de coqueirais. Cidade pequena, acanhada com casas primitivas construídas
entre coqueiros, mas, ressalta o autor, construída à moda europeia.
Procuramos descrever nesse texto a evolução urbana dessa pequena cidade ao longo do século XIX, dando ênfase aos seus planos de
15 Dès l´arrivée, la marque que la sécheresse a imprimée au pays devient sensible. Une
longue ligne de dunes, fauves et nues, éclatantes sous le soleil, borde la mer
resplendissante. La petite cité de Fortaleza se cache derrière, entouré d'une oasis de
cocotiers : autour de la ville, bâtie à l'européenne, un peuple de cases primitives s'abrite
entre les palmiers. (DENIS, 1909, p. 271).
Revista do Instituto do Ceará - 2014108
expansão elaborados ao longo deste século. Sua localização, isolada
das áreas economicamente produtivas até o início do seculo XIX, teve
por muito tempo como principais funções a de centro administrativo
da Capitania e ponto de apoio para o abastecimento dos navios que
viajavam entre Recife e São Luís do Maranhão. Este fato explicava a
pobreza da vila que só vai alterar a sua dinâmica após a separação da
Capitania de Pernambuco (1799), a produção do algodão e sua exportação pelo porto de Fortaleza e a política do Império de fortalecimento
das capitais das províncias. A construção da ferrovia no final do século
XIX, fortalecerá ainda mais o papel da capital na rede urbana cearense.
O crescimento econômico favorece os investimentos na capital e
atração de migrantes, principalmente nos longos periodos de estiagem.
A seca é um elemento importante para se compreender essa evolução
urbana pela situação de centralidade urbana que Fortaleza passou a
ocupar na rede urbana do Ceará.
Quando reconstruímos a história urbana de Fortaleza é impressionante a presença dos planos de ordenamento de uso e ocupação do
seu espaço. De vila pobre do final do século XVIII, Fortaleza tem sua
primeira tentativa de organização formal em 1800, com a contratação
de um arruador, visando dar orientação e regularidade às ruas e disciplinar o traçado da vila de Fortaleza.
Constata-se que a organização espacial de Fortaleza ao longo de
todo o século XIX foi em grande parte de responsabilidade da posição da
sede do poder político, secundado pela centralização das riquezas produzidas por outras cidades do interior da província. Essa condição de capital será de fundamental importância para se entender a lenta expansão
da cidade, sempre sujeita às condições econômicas da própria província.
O traçado urbano e a forma de ocupação do espaço da cidade de Fortaleza
desde o início da sua transformação em capital da Capitania é repleto de
desejo de seus governantes preocupados com seu ordenamento.
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